O Estado do Maranhão, localizado no oeste da região Nordeste do Brasil, com uma extensão territorial de 331 935,507 km² (o 8º maior Estado do Brasil) pode parecer, em função de seus dados socioeconômicos oficiais, um Estado de grandes riquezas (PIB igual a 45.256.000, sendo o quarto Estado mais rico da Região Nordeste do Brasil e o 16º Estado mais rico do Brasil), e que apresenta ainda um Índice de Desenvolvimento Humano do 0,683, considerado como médio.


Porém, analisando mais profundamente estes dados, se observa que, em comparativa com os demais Estados da Federação, o Maranhão está no penúltimo lugar de desenvolvimento e, além disto, um IDH calculado como a média total de um Estado inteiro e de tal tamanho, disfarça as peculiaridades reais, em que, a riqueza está concentrada por umas poucas famílias e empresas da elite, confrontando com uma grande parte da população que vive na pobreza e nos umbrais da miséria (26% vive com menos de R$ 2,6 por dia), onde os índices de analfabetismo e abandono escolar ainda são altos (21,6% da população por acima dos 15 anos é analfabeta) e grande número dos/as menores em idade escolar dificilmente sabem escrever e ler fluentemente.


Junto com estes indicadores, se soma uma herança histórica de divisão da sociedade entre exploradores/as e explorados/as, vigente ainda e representada pela alta incidência de casos de trabalho escravo encontrados no Estado. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT) de 2003 a 2012 foram resgatados/as 28.839 trabalhadores/as. Onde, o 20% são do Maranhão (5.769 pessoas libertadas de condições análogas à escravidão).


Dentro do Estado, os crimes de Trabalho Escravo principalmente acontecem nas atividades relacionadas com a produção de carvão em carvoarias, em fazendas de criação de gado e no replantio de florestas comerciais.

TRABALHO ESCRAVO, VERGONHA QUE AINDA EXISTE