FAZER BONITO É COISA DE TODXS

 

Neste dia, em 1973, uma menina de 8 anos, de Vitória (ES), foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado e os seus agressores nunca foram punidos. 

Com a repercussão do caso e forte mobilização do movimento em defesa dos direitos das crianças e adolescentes, 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Desde então, esse se tornou o dia para que a população brasileira se una e se manifeste contra esse tipo de violência. 

São muitas as ações desenvolvidas pelo Brasil todo e, Açailândia, não é exceção; porém, a gente não pode deixar de se perguntar: O que é que está falhando nesta sociedade quando não somos capazes de proteger nossas crianças e adolescentes?

Fazer Bonito é coisa de todos/as. A família, a escola e a comunidade, deve estar de olho e denunciar qualquer indício de abuso, porém as denúncias ainda são incomuns e, quando a vítima reúne coragem para denunciar, ela encontra um sistema deficiente, lento e insuficiente.

Exemplo claríssimo disso é o caso conhecido como CASO PROVITA, onde várias meninas da nossa cidade foram abusadas e exploradas sexualmente mais de 10 anos atrás e que ainda hoje, uma das vítimas, continua enfrentando um processo longo e devastador na tentativa dos abusadores e exploradores serem punidos.

As vítimas, crianças, tiveram de ser inseridas no Programa de Proteção de Testemunhas e Ameaçados/as -PROVITA, tiveram que abandonar sua família, seu lar, amigos/as, suas raízes!, enquanto os abusadores e exploradores: Antônio Borges Neto (advogado), Antônio Sildemir da Silva Moreira “Paraibinha” (empresário), Geraldo Henrique Menezes da Silva (empresário agropecuarista), Ildenor Gonçalves dos Santos (irmão do Ex-prefeito Ildemar Gonçalves e, na época, secretário de infraestrutura de Açailândia), Luís James Fonseca Silva  (advogado e agropecuarista) e Pedro Rodrigues de Sousa “Pedão da Farmácia” (empresário) – todos eles continuam com suas vidas como se nada tivesse acontecido. Continuam sendo homens respeitados na sociedade açailandense, inclusive está se falando que o Luís James pretende se candidatar como Deputado Estadual!

A gente não pode deixar de sentir repulsa, raiva, revolta, pelas dezenas, centenas, milhares de crianças e adolescentes que são abusadas e exploradas diariamente, dentro do seio familiar, na escola, na igreja, templos, na rua...e que, pelo medo, perdem a voz para denunciar.

É indignante ver como nossa sociedade reage diante das denúncias, alguns duvidam, outros culpam às próprias vítimas, outros dão justificativas absurdas, normalizando o abuso infantil e falando que é “cultural”.

Não podemos esquecer o esquema de exploração e abuso realizado pelos pedófilos Osvaldo Filho (apresentador de televisão - Ronda) e Miro Ferraz (empresário) que se passeiam pela cidade de cabeça alta e ainda o Oswaldo usa seu lixo-programa para se justificar e rir na cara da sociedade.

E mais recentemente, explodiu um segredo a vozes que se arrastra e é silenciado por anos, hoje é difícil até determinar o número de vítimas, é o caso do “Professor” Roberto Figuereiro “Beto” (Escola Norma Suely e dono do Clube de Natação Água Viva). Esse sujeito, se aproveitando da sua posição como “educador” e, através de constrangimento e violência psicológica, já abusou de dezenas de adolescentes da nossa cidade.

O abuso e a exploração estão em toda parte, dentro de casa, na televisão, na política, na escola. É preciso que Açailândia inteira levante a cabeça, sacudindo o estigma de cidade que explora nossos/as pequenos/as, devemos denunciar, nos indignar e acolher de braços abertos às vítimas. FAZER BONITO É COISA DE TODOS/AS, TODOS OS DIAS!